Estado autoriza balsa emergencial para garantir mobilidade entre Pedro Afonso e Tupirama
Serviço funcionará no trecho da rodovia TO-010, entre os municípios de Pedro Afonso e Tupirama
Balsa atracada no porto de Pedro Afonso. (Foto: Dimas Morais).
A Agência Tocantinense de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos (ATR), publicou, nesta sexta-feira, 22, no Diário Oficial do Estado (DOE), autorização emergencial para que a empresa Pipes Empreendimentos Ltda. opere o serviço de travessia hidroviária intermunicipal entre Pedro Afonso e Tupirama. A medida terá validade enquanto perdurar a interrupção total da ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, determinada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). A empresa autorizada deverá operar a embarcação “ATR 250”, registrada na Capitania dos Portos e vinculada ao DNIT.
O serviço funcionará no trecho da rodovia TO-010, entre os municípios de Pedro Afonso e Tupirama. A empresa será a responsável integral pela operação da travessia, incluindo a manutenção da embarcação, a regularidade documental, a segurança dos usuários e o cumprimento das normas da Marinha.
A interdição ocorreu após o DNIT ter identificado o agravamento de fissuras, surgimento de novas trincas e sinais de subsidência na estrutura da ponte, comprometendo a mobilidade entre os municípios e o transporte de passageiros, veículos e cargas na região.
O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, afirmou que o Estado acompanha de forma permanente a situação da travessia entre Pedro Afonso e Tupiratins e que a autorização emergencial busca garantir segurança e mobilidade à população afetada. “Desde o primeiro momento em que fomos informados sobre a situação da ponte, determinamos que todos os órgãos do Governo atuassem de forma rápida para minimizar os impactos à população. A autorização emergencial da travessia hidroviária garante o direito de ir e vir das famílias, mantém o transporte de mercadorias e assegura que os serviços essenciais continuem funcionando na região. Nossa prioridade é proteger vidas e garantir segurança aos tocantinenses”, frisou.
A ATR esteve na ponte e está coordenando medidas emergenciais para garantir a travessia provisória da população entre os municípios. O presidente da ATR, Tom Lyra, destaca que o órgão atuará no sentido de fiscalizar e proteger o cidadão tocantinense. “Por determinação do governador Wanderlei Barbosa, equipes do Governo do Estado atuam na região para assegurar o deslocamento da população de forma segura. Estivemos reunidos com a Associação dos Barqueiros para garantir o deslocamento dos estudantes e a empresa Pipes irá viabilizar a travessia e a balsa. Juntos iremos amenizar os impactos que foram gerados após a interdição da ponte”, afirmou.
Desde quarta-feira, 20, o governador Wanderlei Barbosa, por meio da Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura (Ageto), já havia adotado medidas emergenciais para garantir a mobilidade e o atendimento à população após a interdição total da ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, localizada no KM 163,89, entre os municípios de Pedro Afonso e Tupirama. Entre as ações determinadas pelo chefe do Executivo estadual estão a mobilização de embarcações para auxiliar na travessia da população e a manutenção das rodovias alternativas utilizadas no acesso à região.

Rotas Alternativas
Como alternativa, o DNIT definiu um novo trajeto para circulação entre os municípios: seguir pela BR-153 até Guaraí, acessar a TO-239 em direção a Tupiratins, realizar a travessia por balsa até Itaperatins, seguir pela TO-239 passando por Itacajá, continuar pela BR-010 até Santa Maria do Tocantins e acessar a TO-010 no sentido de Pedro Afonso.

(Foto: DNIT).
Mobilidade e serviços essenciais já sentem reflexos
Os efeitos da interdição já começam a aparecer na rotina da população. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram pacientes sendo transportados em pequenas embarcações improvisadas para cruzar o Rio Tocantins.
Agro teme aumento de custos e atraso na próxima safra
Para o setor produtivo, a principal preocupação está nos impactos sobre logística, abastecimento e competitividade.

Simone Sandri, Presidente do Sindicato Rural de Pedro Afonso
A presidente do Sindicato Rural de Pedro Afonso, Simone Sandri, afirma que os efeitos já atingem produtores, trabalhadores e empresas que dependem da travessia.
“A interdição da ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, que liga os municípios de Tupirama e Pedro Afonso, representa um duro golpe para toda a região. Os prejuízos já começam a ser sentidos diretamente pela população, pelos produtores rurais, transportadores, comerciantes e trabalhadores que dependem diariamente dessa ligação. O desvio imposto aumenta significativamente as distâncias, eleva os custos logísticos, atrasa o transporte de insumos e o escoamento da produção agrícola, além de comprometer o abastecimento e a mobilidade regional”, afirma.
Ela também destaca que a estrutura é estratégica para o agronegócio regional.
“A ponte é considerada estratégica para o agronegócio tocantinense, especialmente para o escoamento de grãos, transporte de defensivos, fertilizantes, máquinas agrícolas e circulação de trabalhadores do setor produtivo. Sua paralisação afeta diretamente a economia regional e coloca em risco a competitividade do agro no Médio Norte do Tocantins”, completa.
FAET e entidades rurais pedem resposta rápida
Em nota, o Sistema FAET/SENAR e o Sindicato Rural de Pedro Afonso afirmaram que compreendem a necessidade da interdição por segurança, mas alertam para os impactos em um período importante para o escoamento da safra.
Segundo as entidades, mais de 100 carretas utilizam diariamente a travessia para transporte de grãos, insumos e mercadorias. A FAET informou ainda que acionou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para acompanhar o caso e buscar medidas emergenciais junto ao Governo Federal.
COAPA alerta para exportação e aumento do frete
Com sede em Pedro Afonso e atuação em 21 municípios, a COAPA avalia que o bloqueio afeta diretamente a competitividade da produção regional.

Presidente da Coapa, Ricardo Khouri.
Para o presidente da cooperativa, Ricardo Khouri, existe preocupação imediata com os grãos armazenados na margem direita do Rio Tocantins que ainda precisam seguir até Palmeirante para embarque ferroviário com destino à exportação.
“Essas empresas que compram nossa produção trabalham com uma cadeia logística muito bem dimensionada e, diante de um gargalo tão sério como esse, existe o risco de renegociação e desvalorização do produto produzido aqui na região, porque aumenta o custo para ele chegar ao mercado consumidor”, afirma.
Khouri também alerta para impactos na próxima safra.
“Dificulta a chegada dos insumos para a próxima safra de verão. Fertilizantes, sementes e produtos químicos dependem dessa logística. O que a gente espera é que sejam colocadas balsas capazes de transportar grandes caminhões o mais rápido possível”, destaca.
Segundo a estimativa da cooperativa, o novo trajeto adiciona cerca de 120 a 130 quilômetros ao percurso e pode elevar o custo logístico entre R$ 8 e R$ 10 por tonelada transportada.
Com informações da Secom do Governo do Tocantins.








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