Cotações do feijão disparam enquanto café recua com força

Arábica chega a recuar até 15 porcento em Franca (SP)

Cotações do feijão disparam enquanto café recua com força
Ilustrativa

As cotações levantadas pela Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), com informações fornecidas por mais de 100 corretoras associadas de diferentes regiões do país, mostraram movimentos intensos nos mercados do feijão e do café ao longo do mês de maio. No caso do feijão, a alta nas cotações no acumulado do mês avançou entre 22%, no Oeste da Bahia, e 37% no Porto de Paranaguá (PR), onde a saca é estimada em R$ 228,00 para o feijão-preto disponível (saca de 60 quilos).

De acordo com o Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe), o feijão-carioca passa por um momento de entressafra, enquanto, no caso do feijão-preto, a importação da Argentina é e seguirá sendo necessária para complementar os estoques nacionais. “Isso, somado ao clima em algumas regiões, como o registro de seca em Goiás e Minas Gerais e de geadas no Paraná, está impulsionando as cotações com força”, explica o presidente do Ibrafe, Marcelo Eduardo Lüders. O cenário de alta, porém, não deve se sustentar no segundo semestre. “Dentro de 30 dias, teremos a entrada da terceira safra do feijão-carioca e os preços devem ser vistos em patamares mais baixos”, avalia Lüders.

Em contraste com as cotações do feijão, o indicador de preços da BBM para o café registrou quedas expressivas no acumulado de maio. Na região de Guaxupé (MG), referência na produção do grão, a queda mensal nas cotações passou de 15% e o valor da saca de 60 quilos do arábica aparece em R$ 1.568,00. Já em Franca (SP), a queda no acumulado de 30 dias se aproximou de 15% e a saca de arábica é vista a R$ 1.570,00.

A principal explicação para o recuo das cotações do café é a combinação de expectativa de safra recorde, início da colheita e aumento da oferta disponível no mercado. De acordo com o 2º levantamento da safra de café, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) recentemente, a produção brasileira de café está estimada em 66,7 milhões de sacas na safra 2026/27, um recorde e um aumento de 18% de volume em relação a 2025.