Brasil deve seguir como maior produtor mundial de carne bovina em 2026, diz USDA

Em 2025, pela primeira vez na história, o Brasil superou os EUA na produção global da proteína

Brasil deve seguir como maior produtor mundial de carne bovina em 2026, diz USDA
Ilustrativa

Após revisão das estimativas globais para o setor de carne bovina, o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) aponta o Brasil como o maior produtor mundial da commodity em 2026, à frente dos norte-americanos.

Em 2025, pela primeira vez na história, o Brasil superou os EUA na produção global da proteína, de acordo com os dados do EUA.

No relatório de dezembro/25 do departamento, porém, a estimativa inicial do USDA para 2026 indicava que o Brasil poderia voltar à segunda posição, sendo ultrapassado pelos EUA.

No relatório mais recente, divulgado em 9 de abril, o USDA estima uma produção brasileira de carne bovina de 12,370 milhões de toneladas equivalente-carcaça (tec) para 2026, o que significa um aumento de 5,7% sobre a estimativa de dezembro/25, de 11,700 milhões de tec.

Por sua vez, a oferta norte-americana para 2026 está estimada em 11,741 milhões de tec, um pouco superior (-0,24%) ao volume projetado em dezembro/25, de 11,712 milhões de tec.

Porém, a oferta brasileira em 2026 será levemente menor (-1,86%) que a produção de 2025, de 12,605 milhões de tec, de acordo com o relatório do USDA.

Oferta global também recua

A produção global de carne bovina em 2026 deve ser 1% menor, totalizando 61,6 milhões de toneladas, devido à queda na oferta do Brasil, Estados Unidos, China, União Europeia e Austrália, que mais do que compensará os aumentos na Índia, México e Nova Zelândia.

A produção da Austrália, segundo maior exportador global de carne bovina, atrás do Brasil, deve cair 1%, para 2,9 milhões de toneladas, um reflexo da redução nos abates, prevê o USDA.

Por sua vez, a oferta do México deverá aumentar 11% em 2026, já que o fechamento da fronteira entre os EUA e o México para o gado vivo aumentou a disponibilidade de animais prontos para o abate.

Revisão positiva para as exportações brasileiras

O USDA também revisou para cima os embarques de carne bovina do Brasil, estimando vendas em 2026 de 4,275 milhões de tec, um aumento de 6,8% sobre a projeção de dezembro/25, de 4,000 milhões de tec, mas inferior (-2,4%) ao resultado obtido em 2025, de 4,380 milhões de tec.

Embarques globais em queda

Prevê-se que as exportações globais de carne bovina diminuam 1% em 2026, para 13,8 milhões de toneladas, com as reduções no Brasil, Austrália, Estados Unidos e União Europeia superando os aumentos na Índia, Argentina, Nova Zelândia e México.

“Espera-se que os fluxos comerciais globais sofram uma reestruturação significativa, uma vez que a China, o maior importador mundial, implementa uma série de cotas tarifárias que limitarão suas importações, principalmente do Brasil e da Austrália”, observa o relatório.

Apesar da menor produção, as exportações da Argentina devem crescer 3%, para 800 mil toneladas, devido a uma alocação favorável de cotas tarifárias da China e a uma cota específica para o país (CSQ) ampliada com os Estados Unidos.

As exportações do México devem aumentar 23%, devido à maior disponibilidade de animais prontos para o abate e à demanda firme por carne bovina dos Estados Unidos.

China importará menos e os EUA comprará mais

Prevê-se que as importações de carne bovina da China diminuam 13% em 2026, na comparação com 2025. As importações dos EUA, prevê o USDA, devem registrar aumento anual de 6% em 2026, já que a demanda por cortes magros permanece robusta.

Dados estimativos dos EUA

A produção e as exportações dos EUA estão previstas em 11,7 milhões de toneladas e 1,1 milhão de tec, respectivamente, uma queda de 1% e 8% em relação aos resultados de 2025.

Segundo o USDA, a produção norte-americana de carne bovina deverá diminuir devido à disponibilidade limitada de novilhos e novilhas para confinamento, agravada pelas restrições à importação de gado do México.

Essa menor produção reduzirá as exportações de carne bovina dos EUA, explica o relatório.

Os altos preços de exportação resultantes da oferta interna restrita, juntamente com a perda de acesso ao mercado chinês, continuarão a representar obstáculos para os embarques dos EUA, acrescenta o USDA.

A forte concorrência em mercados asiáticos importantes — Coreia do Sul, Japão e Taiwan — também limitará as oportunidades de exportação de carne bovina norte-americana.