EUA propõem tarifa extra de 12,5% ao Brasil por investigação sobre trabalho forçado

Medida do USTR mira falhas no bloqueio a bens feitos com trabalho forçado e prevê isenções para carne bovina, açaí e suco de laranja

EUA propõem tarifa extra de 12,5% ao Brasil por investigação sobre trabalho forçado
Ilustrativa

EUA propõem tarifa extra de 12,5% ao Brasil por investigação sobre trabalho forçado

Medida do USTR mira falhas no bloqueio a bens feitos com trabalho forçado e prevê isenções para carne bovina, açaí e suco de laranja

Os Estados Unidos propuseram uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos do Brasil no âmbito de uma investigação do USTR sobre regras nacionais contra a entrada de bens produzidos com trabalho forçado. A medida foi apresentada em documento divulgado em 2 de junho de 2026 e ainda passará por audiência pública.

A proposta atinge o Brasil e outras 53 economias com uma cobrança extra de 12,5% sobre todos os produtos, enquanto Canadá, Equador, Indonésia, México, Paquistão e União Europeia aparecem em faixa de 10% por terem regime parcial. Ao todo, 60 economias foram avaliadas pelo escritório comercial norte-americano.

O ponto central para o agro é que a cobrança não se confunde com a tarifa de 25% ligada a práticas comerciais injustas, já tratada em outro processo. Na prática, caso ambas avancem e incidam sobre os mesmos itens, parte da pauta brasileira poderia enfrentar uma carga potencial de 37,5%.

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A audiência pública foi marcada para 7 de julho de 2026. Até lá, governos, empresas e entidades podem tentar demonstrar efeitos econômicos, riscos de sobreposição tarifária e eventuais falhas de enquadramento setorial. O rito ainda não representa aplicação imediata, mas amplia a pressão sobre exportadores que dependem do mercado norte-americano.

No caso brasileiro, o USTR sustenta que a legislação não implementou de forma suficiente uma proibição efetiva à importação de bens feitos total ou parcialmente com trabalho forçado em outra economia. A falha foi classificada como irrazoável pelo órgão, linguagem que costuma embasar medidas comerciais de retaliação ou correção.

Embora o Brasil afirme proibir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado por meio da implementação de compromissos assumidos em acordos de investimento e tratados de livre comércio, essas disposições não proíbem legalmente a importação, para venda no mercado interno, de bens produzidos total ou parcialmente com trabalho forçado em outra economia

USTR

A leitura mais sensível para o campo está na diferença entre os processos. A tarifa de 12,5% nasce de uma investigação sobre trabalho forçado e regras de importação, não de uma acusação direta contra fazendas brasileiras. Ainda assim, o alcance amplo sobre produtos pode afetar cadeias que não estejam claramente protegidas por exceções.

Agro tem isenções, mas pauta exportadora ainda precisa ser conferida

Carne bovina, açaí e suco de laranja aparecem entre os itens isentos, o que reduz o impacto imediato sobre segmentos relevantes do agro brasileiro. A lista, porém, não elimina a necessidade de conferência produto a produto, especialmente para embarques industriais, insumos, alimentos processados e itens de menor visibilidade na pauta bilateral.

Estimativas citadas no debate comercial indicam que a combinação das duas frentes tarifárias poderia alcançar cerca de 21% das exportações brasileiras aos Estados Unidos. Esse recorte torna a tramitação relevante para tradings, cooperativas, agroindústrias e compradores que operam contratos em dólar com margens já pressionadas por frete, câmbio e exigências sanitárias.

Para o Brasil, a resposta tende a exigir coordenação entre governo, setor privado e representação diplomática, com foco em comprovar mecanismos de controle, separar produtos isentos e evitar que a discussão trabalhista se transforme em barreira ampla ao comércio agroindustrial. A data de julho será o próximo marco para medir o alcance real da proposta.

Agronews