Soja sobe com ajuste nos estoques dos EUA

No Brasil, o quadro combina preços firmes em algumas praças

Soja sobe com ajuste nos estoques dos EUA
Ilustrativa

A soja encerrou o dia em alta em Chicago, em um movimento sustentado por ajustes nos estoques dos Estados Unidos, avanço do óleo e pressão logística em importantes regiões produtoras do Brasil. Segundo a TF Agroeconômica, o contrato de maio na CBOT subiu 1,15%, a US$ 12,1350 por bushel, enquanto julho avançou 1,13%, a US$ 12,2675 por bushel, com o farelo em alta de 1,11% e o óleo subindo 2,20%.

O impulso veio do relatório WASDE, que indicou redução inesperada nos estoques finais norte-americanos da safra 2025/2026, para 9,25 milhões de toneladas, em razão do maior esmagamento doméstico. A demanda de óleo para biocombustíveis também ganhou peso no mercado, passando de 6,44 milhões para 8,07 milhões de toneladas, em um cenário de petróleo acima de US$ 102 por barril.

No Brasil, o quadro combina preços firmes em algumas praças, colheita avançada e dificuldades operacionais. No Rio Grande do Sul, a colheita alcança 79% da área, mas a umidade elevada atrasa trabalhos e encarece a secagem. O porto de Rio Grande chegou a R$ 131,00 por saca, alta de 2,83%, enquanto o frete curto subiu até 55% em regiões como Erechim e Pelotas.

Em Santa Catarina, os preços ficaram estáveis, com São Francisco do Sul a R$ 129,00. A colheita segue avançada, mas a ferrugem asiática exige aplicações preventivas em áreas de fronteira. No Paraná, a colheita chegou a 99%, porém a falta de diesel afeta produtores em municípios como Rio Azul, Guarapuava e Irati, justamente na reta final dos trabalhos e no preparo para o trigo.

No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul registrou superávit comercial de US$ 958,4 milhões em abril, mas a produtividade caiu 22,4%, para 84,2 sacas por hectare. Em Mato Grosso, 72,52% da safra estava comercializada em abril, com produtores segurando vendas, enquanto a chegada do milho força a liberação de espaço nos silos e aumenta a pressão sobre a logística.