Movimentação de cargas por ferrovia cresce 320porcento em dez anos no Tocantins

Terminais de Porto Nacional e Palmeirante alcançaram volume recorde em 2025 e conectam a produção regional aos portos do Maranhão.

Movimentação de cargas por ferrovia cresce 320porcento em dez anos no Tocantins
ilustrativa

Foto: Divulgação

Os terminais integradores da VLI em Porto Nacional e Palmeirante, no Tocantins, movimentaram 8 milhões de toneladas de cargas em 2025, volume recorde que representa um crescimento de aproximadamente 320% em dez anos. As duas unidades estão conectadas à Ferrovia Norte-Sul e integram um corredor logístico utilizado para o escoamento da produção agrícola e o abastecimento de insumos no estado.

A estrutura recebe cargas transportadas por rodovias e realiza a transferência para os trens, que seguem em direção ao sistema portuário de São Luís, no Maranhão. Entre os principais produtos movimentados estão soja, milho e farelo, além de combustíveis e matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes.

A operação depende de diferentes profissionais, entre eles os maquinistas, responsáveis pela condução dos trens e pela segurança do transporte ferroviário. Nesta terça-feira (20), quando é celebrado o Dia do Maquinista, a atividade ganha destaque pela contribuição ao funcionamento da logística e à economia do Tocantins.

De admirador de trens a maquinista

Entre os profissionais que atuam na ferrovia está Danilo Oliveira Gonçalves, de 32 anos, morador de Palmas. Funcionário da VLI há nove anos, ele começou como operador no terminal de grãos de Porto Nacional e, há oito meses, realizou o sonho de se tornar maquinista de viagem.

O interesse pela profissão surgiu ainda na adolescência, em Marabá, no Pará. Aos 16 anos, Danilo trabalhava como ajudante geral em uma loja de acessórios para caminhões localizada próxima à ferrovia. Sempre que ouvia a aproximação de uma composição, interrompia por alguns instantes o que estava fazendo para observar os vagões.

“Eu corria para a janela do trabalho para ver o trem passar. Ficava admirando, contando os vagões e achando tudo muito lindo”, relembra.

Ao ingressar na VLI, iniciou a trajetória profissional realizando a limpeza de equipamentos e auxiliando no descarregamento de caminhões. Com o passar dos anos, assumiu atividades relacionadas ao recebimento e à expedição de produtos e ao carregamento de vagões.

Mesmo após receber uma proposta para atuar como controlador, decidiu esperar uma oportunidade na operação ferroviária. Foi aprovado em um processo seletivo, tornou-se operador de pátio, depois maquinista de pátio e, finalmente, passou a conduzir trens em viagens.

“Aprendi a respeitar cada etapa, a trabalhar em equipe e a valorizar cada pessoa que me ajudou nessa caminhada”, afirma.

A primeira viagem foi um dos momentos mais marcantes da carreira. “A alegria não cabia dentro de mim. Era um sorriso que não saía do rosto e uma gratidão enorme a Deus”, conta.

Atualmente, quando observa crianças e moradores acenando durante a passagem dos trens, Danilo se recorda da própria adolescência.

“Um dia, eu também fui alguém que admirava tudo de fora. Hoje, conduzo a máquina que antes via apenas de longe”, diz.

Para ele, a profissão também representa a oportunidade de contribuir com o transporte de produtos que movimentam a economia regional.

“Sinto muito orgulho e responsabilidade em exercer minha profissão, sabendo que contribuo diretamente para o desenvolvimento econômico do Tocantins e do Brasil. Transportar cargas importantes com segurança e compromisso é saber que meu trabalho faz a diferença”, declara.

Ferrovia conecta produção do Tocantins aos portos do Maranhão

A VLI atua no estado por meio do Corredor Norte, que conecta Porto Nacional ao sistema portuário de São Luís. O percurso utiliza o tramo norte da Ferrovia Norte-Sul, controlado pela companhia, e a Estrada de Ferro Carajás, onde a empresa opera por direito de passagem.

Os terminais de Porto Nacional e Palmeirante funcionam como pontos de integração entre os modais rodoviário e ferroviário, permitindo o transporte de grandes volumes de produtos agrícolas e insumos.

A conexão ferroviária é uma das alternativas logísticas utilizadas pelo agronegócio tocantinense para acessar mercados nacionais e internacionais, especialmente no transporte de grãos destinados à exportação.

A VLI também opera a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e outros ativos logísticos que integram regiões produtoras do Brasil a terminais e portos.