Sindi Leiteiro é destaque em concurso científico da ExpoGenética com dois estudos premiados

Dois estudos sobre o Sindi são premiados entre os melhores trabalhos da ExpoGenética.

Sindi Leiteiro é destaque em concurso científico da ExpoGenética com dois estudos premiados
ilustrativa

Dois estudos desenvolvidos com bovinos da raça Sindi conquistaram o 1º e o 3º lugares na categoria Graduação do Concurso Técnico-Científico da 19ª ExpoGenética, realizada em Uberaba (MG) pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). A premiação ocorreu na última quinta-feira (20) e reconheceu pesquisas voltadas ao avanço da seleção de animais e do melhoramento da raça.

 

19ª ExpoGenética, raça bovina Sindi

Os trabalhos integram um projeto liderado pelo pesquisador Carlos Frederico Martins, do Centro de Tecnologia de Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL), da Embrapa Cerrados, que busca desenvolver ferramentas para melhorar geneticamente o Sindi Leiteiro. Também participam da iniciativa o analista Adriano Mesquita e os pesquisadores Isabel Cristina Ferreira e Claudio Magnabosco, da Embrapa Cerrados, além de Ludmilla Brunes, da Embrapa Caprinos e Ovinos.

O 1º lugar ficou com José Ricardo Sobral da Silva, estudante de Medicina Veterinária do Uniceplac, pelo trabalho “Primeiro estudo de predição genômica para produção de leite, intervalo entre partos e teor de gordura no leite em bovinos Sindi”. A pesquisa avaliou diferentes formas de utilizar informações do DNA dos animais para estimar seu potencial para características importantes da produção leiteira, como volume de leite, reprodução e teor de gordura.

Segundo José Ricardo, os resultados podem contribuir para a escolha de animais mais produtivos e adaptados aos sistemas de produção. “O estudo busca contribuir para a seleção de animais Sindi com maior rusticidade, produção de leite e qualidade da composição do leite. A expectativa é que os resultados sejam especialmente relevantes para pequenos produtores de leite, considerando a capacidade de adaptação e a eficiência alimentar da raça”, explicou.

Entre os métodos avaliados, os melhores resultados foram obtidos quando a análise considerou uma característica isoladamente ou duas características relacionadas. Segundo Carlos Frederico Martins, isso pode ajudar a identificar mais cedo e com maior precisão os animais com maior potencial para determinadas características. “Na prática, esse tipo de ferramenta pode contribuir para identificar mais cedo e com maior confiabilidade os animais com maior potencial genético, tornando a seleção do rebanho mais eficiente. Esse avanço é importante para o melhoramento da raça Sindi, reconhecida pela rusticidade e adaptação às condições tropicais, mas que ainda conta com menor volume de informações genéticas e genômicas quando comparada a raças leiteiras de maior população”, explicou.

Para Ludmilla Brunes, o uso de informações do DNA amplia a capacidade de identificar os animais que apresentam maior potencial para contribuir com as próximas gerações. “Ao incorporar informações do DNA às avaliações já realizadas com dados de desempenho e parentesco, conseguimos avançar na capacidade de identificar geneticamente os melhores animais. É um passo adiante para tornar o programa de melhoramento do Sindi cada vez mais eficiente”, afirmou.

Produção de leite e reprodução

O 3º lugar ficou com Júlia Carvalho de Melo, estudante de Medicina Veterinária da Universidade de Brasília (UnB), pelo trabalho “Efeito de parâmetros genéticos para características de produção, reprodução e gordura do leite em bovinos Sindi”.

O estudo analisou características relacionadas à produção de leite, reprodução e qualidade do produto para identificar quanto das diferenças observadas entre os animais está relacionado à genética e pode ser transmitido às gerações seguintes.

Os resultados apontaram possibilidade de avanço na raça, principalmente em produção e teor de gordura do leite. A pesquisa também identificou um ponto de atenção para a seleção dos animais: priorizar apenas o volume de leite pode gerar efeitos desfavoráveis sobre características reprodutivas e sobre o teor de gordura.

Na prática, os dados indicam que o aumento da produção de leite precisa ser acompanhado de outras características para evitar que ganhos em uma frente comprometam o desempenho do rebanho em outras.

Para Carlos Frederico Martins, a continuidade das avaliações é necessária para transformar os resultados das pesquisas em ganhos efetivos nos rebanhos. “O melhoramento genético é um processo contínuo. Precisamos manter a avaliação dos rebanhos, gerar informações ao longo das gerações e, ao mesmo tempo, multiplicar e disponibilizar a genética dos animais superiores. É essa continuidade que permite transformar os resultados da pesquisa em ganho genético efetivo e fazer com que essa genética adaptada chegue cada vez mais aos sistemas de produção de leite”, destacou.

Base de 2.441 animais

Os dois trabalhos são complementares e utilizam uma mesma base de informações sobre bovinos Sindi. O conjunto reúne dados de aproximadamente 2.441 animais, incluindo o rebanho do CTZL e participantes da Prova a Pasto conduzida pelo Centro.

Também fazem parte da base animais de propriedades participantes do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ-Leite), coordenado pela ABCZ, e de um rebanho da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer-PB). O projeto conta com apoio financeiro da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF).

A premiação dos dois estudos também evidencia a participação de estudantes e instituições de pesquisa na geração de informações para o melhoramento do Sindi. A expectativa dos pesquisadores é ampliar o conhecimento disponível sobre a raça e contribuir para a seleção de animais adaptados às condições tropicais, com melhor desempenho na produção de leite.

As informações são do O Presente Rural, adaptadas pela Equipe MilkPoint.